Edição n. 03 / Junho de 2013
         

Editorial

     A terceira edição da Revista Movimento não significa somente a continuidade do trabalho conjunto desenvolvido pelos alunos do curso de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais da ECA, mas é também a comemoração de um ano de existência da nossa publicação. Movimento segue seu rumo em caminho sempre ascendente e continua a receber artigos de pesquisadores de diversas instituições, inclusive de fora do país, o que é para nós um motivo de grande satisfação.

    Esta edição é dedicada aos melhores artigos da III Jornada Discente do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais da ECA. A seleção rigorosa dos mais de trinta trabalhos recebidos foi árdua no desempate, verificando-se uma melhora na qualidade geral dos textos que, em seu conjunto, refletem a variedade de temas apresentados no evento.

    Além desta seleção, a terceira edição de Movimento traz também os artigos da seção permanente. Juntos, os textos oferecem grandes contribuições ao nosso campo de pesquisa. As inovações incluem a forma da escrita: para confrontar as idéias de moderno e pós-moderno na fotografia, Marcos Fernandes apresenta um ensaio ficcional, a partir de frases verídicas recontextualizadas, promovendo um diálogo entre os fotógrafos Cartier-Bresson e Jeff Wall.

   A tradução comentada para o português da entrevista inédita de Éric Rohmer, realizada por Marina Takami, antevê as características estilísticas do autor que estavam presentes no livro A casa de Élisabeth (1944). Possibilita também ao leitor brasileiro conhecer mais sobre o único romance publicado pelo cineasta e crítico.

    A edição número três traz na imagem da capa uma homenagem ao cineasta Ozualdo Candeias, completando o artigo de Fábio Uchôa, que colabora para a desconstrução da ideia de Candeias como “cineasta primitivo”. Atento à representação da cidade de São Paulo em A margem, Fábio explicita o diálogo do cineasta com as formas do cinema marginal e do cinema paulista dos anos cinquenta.

     Contemplando um tema pouco conhecido pelos pesquisadores brasileiros, Natália Soares realiza um estudo detalhado sobre a montagem nos primeiros tempos do cinema. Seu artigo revela como os procedimentos de colorização e de edição, durante a projeção, conferiam ao filme o caráter de objeto único.

     O estudo de Damyler Cunha, atento à experiência acusmática no filme A mulher sem cabeça de Lucrécia Martel, explica como a diretora cria novas fórmulas para o procedimento sonoro de construção da escuta e do espaço, reconstruindo noções de esquecimento e de memória.

    Luis Carlos Oliveira Júnior compara as formas matriciais criadas por Um corpo que cai,de Alfred Hitchcock, e Blow Up – depois daquele beijo, de Michelangelo Antonioni, para mostrar como elas transformaram-se em modelos sobre a representação do olhar, do desejo e das fronteiras entre a imagem enigmática e a moderna.

    Enquanto Cristina Beskow lança seu olhar atento à comparação entre Geraldo Sarno em Casa de farinha e Raymundo Gleyser em La tierra quema, Sérgio Alpendre realiza um estudo sobre cinema americano e política nos anos setenta. Cristina detalha as similitudes entre as duas obras e explica as influências do contexto político, expondo as formas de abordar a miséria no cinema latino americano. Já Sérgio revela o quanto Embalos de sábado à noite de John Badham manifesta o mal estar da sociedade americana, sabotando a adesão ao feel good movies.

   Isabella Goulart revela as táticas dos estúdios da Fox, usadas para criar e reproduzir um modelo corporal por meio da realização de concursos. O estudo é atento à criação deste imaginário nas revistas e nos anúncios em consonância com um discurso criado no período. Num viés parecido de análise, Mariane Murakami explica os mecanismos atuais para aumentar a audiência da telenovela Avenida Brasil. Apropriando-se das possibilidades da internet, a remediação possibilitou não só uma renovação da narrativa de Avenida, mas criou um interessante universo ficcional, misturando as noções de “realidade” e fantasia.

   Felipe Polydoro também analisa um tema da atualidade: os vídeos anônimos postados na internet sobre o atentado terrorista do 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Vistos como documentos verídicos do real, esses vídeos apresentam-se como um registro neutro. Comparando os graus de neutralidade e subjetividade, Felipe recompõe um estudo sobre verdade, representação e discurso no cinema.


Boa leitura a todos!


CONSELHO EDITORIAL

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